Está constatado – por mim. Os adolescentes de vinte e tantos anos são, definitivamente, a geração salvadora da indústria e da ciência farmacêutica – eu inclusa.
Somos a geração dos antidepressivos, e dos ansiolíticos. Somos a geração Y, com R, de Rivotril.
Somos a geração da transição entre o tradicional e o tecnológico, que nasceu sob a expectativa lasciva da geração X, ou seja lá qual seja a letra atribuída para a geração anterior. Somos a geração dos frios no estômago e nós na garganta, que causam ânsia, que são ansiedade. Somos a geração em que o filho chora, e a mãe pode até ver, sim, mas determinando que devemos seguir em frente; afinal, ninguém aqui tem tempo a perder.
Nós nos tornamos a geração da tendinite, conectada aos softwares que nos deixa impacientes na lentidão dos segundos perdidos. Nos tornamos a geração cheia de querer, da Era da Informação, mas sem poder e sem poderes.
E assim continuamos, com a falta de produtividade de pensamentos acelerados, com o sono constante pelas noites em que o sono não vem, pela dor contínua resolvida com uma série de remédios que nos prejudicam o fígado, o rim, o cérebro.
Talvez sejamos, mesmo, e também, seres humanos de sentimentos líquidos, quase que nos moldes de Bauman, variando na inconstância da solidez insustentável num período de poucas horas.
Talvez sejamos, mesmo, pessoas com os mesmos problemas de antes, mas agora com novos nomes, com novas drogas-soluções, com novos enfrentamentos, desafiados pela vontade de salvar um mundo que não parece querer ser salvo; ou, tão pouco, parece querer nos salvar.
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