sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Paixão em descompasso: salto agulha e lençóis de seda




Mesmo menina, havia se entregado àquela paixão abrupta, repentina. Vê-lo a admirar seu corpo a levava ao êxtase de se sentir desejada, de se sentir a mulher em que agora, aos poucos, mas de maneira voraz, se transformava.

Desnudava-se lentamente ao som de uma canção de batida com a mesma sincronia, lenta e cativante. Carregava nos lábios um sorriso exibicionista, mas seu olhar era sério, firme, e sustentava o dele.

Movia-se metodicamente sob o longo salto – tão fino quanto a curva de sua cintura – sobre o colchão, macio num quarto que, agora abafado, a seu ver era quase como um templo sagrado e guardião até mesmo de seus mais intrínsecos desejos.

Sem se dar conta, foi ao chão!

Respirou fundo. De novo. E mais uma vez.

Reviveu a queda, buscando entender como, em frações de segundo, se deparou com o piso frio, mas o novíssimo hematoma em seu braço a incomodava.

Os olhos arregalados pelo susto encontraram os dele. Fecharam-se quase que por completo enquanto sua delicada e estridente voz transformava-se num riso histérico de vergonha, embora fosse muito honesto.

E, como ela, passado pouquíssimo tempo, a paixão logo se abalou, indo com toda força contra o chão.

Ela não se deixou abater. Não abandonou o salto, recompôs-se no caminhar sensual em busca de novas paixões, agora, se possível, um pouco menos nocivas.

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