Desnudava-se lentamente ao som de uma canção de batida com a mesma
sincronia, lenta e cativante. Carregava nos lábios um sorriso
exibicionista, mas seu olhar era sério, firme, e sustentava o dele.
Movia-se metodicamente sob o longo salto – tão fino quanto a curva de
sua cintura – sobre o colchão, macio num quarto que, agora abafado, a seu ver
era quase como um templo sagrado e guardião até mesmo de seus mais intrínsecos
desejos.
Sem se dar conta, foi ao chão!
Respirou fundo. De novo. E mais uma vez.
Reviveu a queda, buscando entender como, em frações de segundo, se
deparou com o piso frio, mas o novíssimo hematoma em seu braço a incomodava.
Os olhos arregalados pelo susto encontraram os dele. Fecharam-se
quase que por completo enquanto sua delicada e estridente voz transformava-se
num riso histérico de vergonha, embora fosse muito honesto.
E, como ela, passado pouquíssimo tempo, a paixão logo se abalou, indo
com toda força contra o chão.
Ela não se deixou abater. Não abandonou o salto, recompôs-se no
caminhar sensual em busca de novas paixões, agora, se possível, um pouco menos
nocivas.

Nenhum comentário:
Postar um comentário